Terça-feira, 20 de Março de 2012

A troika, a saúde e cada um

O Guardian, jornal inglês, diz na versão online de ontem, entre outras coisas, algumas das que se pensam por cá sobre o estado da saúde do pagode. Diz o periódico que “Portuguese death rate rise linked to pain of austerity programme”. Tive uma prenda de aniversário menos boa, a notícia de um AVC sofrido pelo meu “fader in ló”. Longe, nada podendo fazer, segui o incidente à distância. Já cá, pude então seguir os acontecimentos do labirinto que espera um cidadão na circunstância. Num primeiro momento os afectados por um AVC têm uma assistência de qualidade. Contudo, assim que mexem as pestanas são transferidos para hospitais de rectaguarda com enfermarias onde se misturam todos os tipos de doença. Aí começa o calvário para o enfermo e família (quando esta não zarpa e abandona definitivamente o doente no Hospital). Infecções várias juntam-se ao debilitado doente do AVC; o Hospital faz entretanto um ultimato à família: têm meia hora para levar o vosso doente para casa; as casas não estão preparadas para receber o pobre; inicia-se a louca procura de solução; o Sistema Nacional de Saúde, que diz que não tem vagas; os hospitais privados, que não aceitam questões difíceis; os hospitais privados de gama alta (sim que isto da saúde é para quem paga) torcem o nariz, medem a carteira, uma cunha resolve a acomodação com custos incomportáveis por muito tempo. Esta opção se funciona ajuda, se não funciona o enfermo (a família, porque o enfermo continua ainda a levitar nas nuvens da doenaça e das drogas), fica sob o espectro do desfecho final. Em Fevereiro finaram-se mais 20% do que o normal.

Quero que o Guardiam não tenha tenha razão quando a terminar o artigo diz "Portuguese cannot be expected to remain stoical for ever. "I think it will explode eventually," she said. "It is impossible for people to remain this passive". A she referida é a historiadora Irene Flunser Pimentel.


Sábado, 3 de Março de 2012

Comemoração adiada

Neste sábado esperava comemorar o fim da seca no Alentejo. O céu chegou a estar muito nublado, prometendo copiosa chuvada à meia tarde. Promessa não cumprida, as nuvens desapareceram não se sabe porque artes de mágica. À falta de outros eventos comemoremos como o faz Vinícus de Morais.

Porque hoje é sábado

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado

E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

(Vinícius de Morais)


Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Crise e castigo

Abunda sol, muito sol num céu azul. As noites apresentam-se em espectáculos de estrelas nítidas deixando adivinhar as constelações mais difíceis e a Lua hoje parece não se querer decidir, se quarto-crescente se quarto-minguante; surge como um barco de prata suspenso. Estas excepcionais condições meteorológicas duram há muito. Seriam de apreciar e de usufruir não fossem as suas consequências. É que não chove por aqui, Alentejo, desde Novembro. Os rebanhos movimentam-se com mais lentidão do que é seu costume; não têm pastos. As sementeiras de Outono deveriam estar agora a tingir de verde os campos, mas o amarelo e o cinzento são as cores predominantes. São os tons da seca como nunca se viu nos últimos anos. As lagoas estão secas. Rios e ribeiras esperam pacientes com o leito seco. É uma provação para esta gente, este país. A somar à crise.


Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012


Acasos de lazer

À volta desta mesa, cuja fotografia está longe de mostrar o recanto confortável e acolhedor que é, tivémos pantagruélicas refeições de mais de meia dúzia de iguarias por sessão, de duração longa e relaxante. Jantou-se e fora juntou-se tempo livre, família, prazeres vários, natureza luxuriante de rebeldia, água, montanhas, neve, termómetro com marcas abaixo de zero e um frio agradável. Deixo o sítio que soma isto tudo: Schignano, nas montanhas que ladeiam o Lago de Como. Não conseguirão repetir o que nós lá vivemos. Há a atmosfera própria de cada um em cada situação. A circunstância do Ortega y Gasset.


Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Tempo perdido

Houve um tempo em que julgava que escrevia; afinal só fazia relatos. Factos, consequências e recomendações, eram o sincopado esquema de um relatório tipo. Havia umas derivadas de quando em vez fazendo intervir o prazo, a qualidade e o preço ligados a qualquer coisa chamada ao caso, às vezes nado ali, sem progenitores. Para abrilhantar a escrita organizava-se o enredo à volta de pessoas, organização, tecnologia e processos. E o relatório engrossava sem que transpirasse vida, criatividade ou qualquer sentimento ou cor ou cheiro. Anódino e a fazer-se ares; balofo. Fazer saltar ideias das palavras é dom de artistas, dos que têm capacidade de surpreender e de agarrar.

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

INGRATIDÃO

Já foi há tempo, mas ainda recordo o ar contristado com que um banqueiro se queixava de que agora os bancos são os bombos da festa, que se não fossem os bancos a economia não sei quê e em particular os bancos de investimento não sei que mais. Tocou-me o tom sentido como a coisa foi dita, estou certo que os outros 9 milhões e tal de tugas foram também tocados pelo ar esquálido e atormentado do fiduciário, que de barba por fazer e olheiras quase orelheiras, fitava as câmaras com tal dificuldade que até gaguejava. Via-se que não dorme um sono bem dormido há muitos meses. Realmente o povo é um ingrato. Sobretudo com quem está sempre na linha da frente, ontem no Compromisso Portugal hoje noutros compromissos.


Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Banco de Portugal, offshore?

Será que o Banco de Portugal é um banco offshore? A pergunta resulta do facto de o BP ter vindo a lume dizer que vai pagar os subsídios de férias e de natal ao arrepio do que vai ser aplicado aos funcionários do Estado e aos reformados.


Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Explicações simplistas mas irritantes

Factos são factos. Os números e as percentagens apresentados não foram confirmados contra outras fontes, mas não deverão andar longe da realidade.


A concentração da riqueza pode ser geradora de conflitualidade.


Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Ronaldos e economistas

Este país tem uma silly season cada vez mais longa. Noutros tempos acabava com o fim do Verão, mas com um Inverno deste, em que não chove e o sol irradia calor e claridade, a estação maluca prolonga-se por mais tempo. Corre-se o risco de vir a durar os 12 meses do ano. Veja-se só: um jornalista pergunta ao Ping Tell'Huo se não achava que 600K euros de remuneração anual para um “role” sem grande relevância não era excessivo. Resposta: sou economista, tenho um valor de mercado como um Ronaldo, um Di Maria. Num tempo em que o vencimento de um trabalhador comum é muitas vezes nada, este fulano que já nem chuta à baliza - qual galático auto-convencido - não deve ser deste campeonato.

Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Ano Novo

Acabo de ver na TV o concerto de Ano Novo da Orquestra e Ballet da Ópera de Viena. Foi um espectáculo transcendente de uma beleza inefável, que mostrou que a cultura pode ter duas vertentes não antagónicas: arte performante e negócio. Os bilhetes são disputados com meses de antecedência e esgotam logo, qualquer que seja o preço. Elevado.

Esta orquestra, este espectáculo, nunca poderiam ser portugueses, no Portugal actual. Veja-se o raciocínio neo-liberal lusitano reinante. Violinos seriam uns 20, para quê se todos estão a fazer o mesmo; corta 19. Fagotes eram também meia dúzia, 5 podem sair. As trompas, aliás a sublinharem a mesma melodia que os trompetes, são dispensáveis; ficariam só alguns dos trompetes. O bombo, só entrava de vez enquanto, com períodos de paragem muito longos; deveria ajustar-se o salário ao esforço; reduzir salário. O pandeireta teve uma intervenção apagada, duas pandeiretadas, e o músico parecia muito cioso do que estava a fazer; substituir por tocador de rancho a custo zero. Violoncelos, seis, muito sincronizados mas a revelarem muita ineficácia; substituir por um com amplificador electrónico. Maestro, nunca se viu os músicos olharem para ele, apesar de estar alagado em suor, resultado dos enérgicos movimentos da condução maneirista da orquestra; despedir o Maestro.

E pronto o concerto de Ano Novo dos Strauss, no Palácio Belveder em Viena de Áustria, à luz do que se pensa por cá, constituiu um evitável desperdício, substituível com vantagem de custo e audiência lusa por Quim Barreiros. Menos exigente, capaz de actuar em qualquer terreiro e dispensando o elitismo de palácios, polcas e valsas.


Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Natal
Comungo do texto e do espírito da cantiga, por isso aqui deixo o que estes Deolinda dizem - e eu sinto - sobre esta época.


Aqui fica. Enjoy

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Uma boa performance

E a concretização de uma boa ideia. Num local onde não se passa nada a não ser o passar apressado das pessoas que por ali trabalham ou passam a caminho de casa ou do emprego, alguém fez uma encenação do belo canto que vale a pena escutar. Depois parece que a mulher da limpeza tem a ver com o IBM.
.
Vejam como é afinal agradável, um sitio sem interesse especifico, onde se corre para o transporte, ou quando muito, onde se toma um café rápido, transformar-se num sítio intimista, em que vale a pena parar e ouvir os cantores. E ficar a curtir.

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011



Um Bar. Um oásis.


Um dia diferente é um dia diferente. E o dia entrou pela noite e a noite, depois de um espectáculo no CCB, levou-nos a um ambiente especial que há muito não experimentava. Um bar de muito fumo, muita gente, alguma bebida e uma decoração sui generis. O tal bar onde se decidiu muito da revolução de 74. Um chafariz à porta lembra os recantos de Lisboa, a cerveja belga torna o sítio cosmopolita, os empregados acolhem com amizade sem familiaridade. Fala-se um pouco com decibéis elevados. Ouve-se a mesa do lado, às vezes política outras vezes coisas genéricas. Um bar na noite de Lisboa para quem não gosta de música ensurdecedora.


Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Euro, Europa, Euro pá

Estamos à beira de deixar de ser o povo dos brandos costumes. As razões são agora muito mais amplas do que o prosaico desejo corporativo de querer manter uns quantos direitos adquiridos. O que está a mudar não é só aqui, é na Europa e no Mundo. Estamos no limiar de um mundo novo, expressão que foi muitas vezes aplicada quando a mudança foi para melhor, não é agora o caso. Um novo patamar de conhecimento e de uso da tecnologia foi sendo construído, aparentemente para bem de todos. Foi afinal só para alguns, poucos. O trabalho braçal foi há décadas atrás substituído por sofisticados dispositivos mecânicos. Do que se trata agora é mais consequente e fracturante; trata-se da substituição do trabalhado de “colarinho branco” por equipamentos que vão progressivamente assumindo alguma “inteligência”, que se ligam a outros idênticos, formando redes e redes de redes que dispensam a intervenção de agentes humanos em inúmeras situações. Basta um “chip” num cartão, que introduzido numa máquina vai accionar uma autorização, que tem um custo, considerado no Banco do titular, que fica com a conta-corrente actualizada. Em segundos. Há uns anos este mesmo fluxo precisava de semanas e da intervenção de umas quantas pessoas, que hoje estão dispensadas. Este estádio afecta sobretudo as sociedades que vivem de serviços, como antes foram afectadas as que viviam da indústria. Nos tempos que aí vêm há que contar com turbulência social resultante do desespero das pessoas afectadas. Não haverá troikas que o evitem. Até porque no final deste processo – em 2015 ? – não teremos alcançado nenhum ajustamento, antes estaremos a dever o que nunca poderemos pagar como país.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Call centers
Decisivamente os call centers vieram para ficar. Por uma questão de custos as empresas empurram para os call centers os clientes com problemas. Bancos, empresas de telecomunicações, de electricidade e até serviços públicos. Depois de uma espera longa e desesperante em que o interessado houve música irritante, repetitiva e avisos completamente desadequados chega-se ao segundo passo, a gravação seleccione aqui, carregue acolá, aguarde pelo operador. Mais música e mais avisos e se o interessado estoicamente aguenta e não se enganou nas teclas, pode ter a sorte de chegar ao operador. Em que lhe posso ser útil seguido do interrogatório número de contribuinte, data de nascimento ou uma outra senha, com uma boa dose de sorte, outra vez, lá começa a conversa. Raramente há uma solução ou as chamadas caem misteriosamente quando o operador manda aguardar. Com a crise este cenário tende a piorar porque as empresas de call centers vão querer reduzir efectivos, estes por sua vez são recém-licenciados e não acham interesse nenhum no que estão a fazer e isso não ajuda à solução das questões colocadas. A qualidade dos produtos e serviço das empresas que nos fornecem serviços ou vendem bens, vai deteriorar-se ainda mais nos próximos tempos, o que implicará uma maior sobrecarga dos call centers. Aqui só há uns que ganham: os operadores de telefone, porque inexplicavelmente o contador da chamada liga-se assim que acabamos de marcar o número, quando deveria começar a contar a só após o atendimento útil. É de evitar ligar para os números começados por 7 se bem que as alternativas, em caso de necessidade, não sejam muitas. O “face to face” vai acabando e onde ainda há as filas são de desencorajar o mais persistente. Entretanto temos de nos contentar com telefonemas para quem, mesmo com boa vontade, não consegue resolver coisa nenhuma, mas termina a chamada de quinze ou vinte minutos com a inócua pergunta: mais alguma coisa senhor José da Silva Antunes Antas de Lacerda em que lhe possa ser útil? Disponha sempre!

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Domínio Público, de Paulo Castilho

É um prazer voltar a ler Paulo Castilho. Como já aqui o disse, tenho de repetir a declaração de interesse, é que tive igualmente gosto em trabalhar um período longo com o autor em coisas da burocracia europeia nos tempos em que não havia telemóveis nem mails. Sentia gosto em observar como ele conduzia as sessões de trabalho. Com uma elegância como se de uma mão invisível se tratasse. Fazia a síntese e marcava os tópicos que cada um deveria tratar em próxima sessão. Mas vamos ao livro. Não sei como hei-de falar de uma obra que é a um tempo de costumes, de um connoisseur, e simultaneamente mordaz e crítica como de quem não pretende ser parte do que conta. Trata de algumas vidas muito actuais, com tudo o que isso significa de volátil e fugaz e de outras conservadoras e paradas no tempo. Umas e outras convivendo. Nos locais Junqueira, Parque das Nações, Nova Iorque, Alentejo, e tantos outros sítios; convivendo nas situações como heranças, uma Fundação - curioso aparecer uma Fundação -, na família já em desagregação. Contudo as família conservadoras não são mais “bem comportadas”, se assim se pode dizer. Faziam as mesmas coisas que os “prá frentex” faziam, mas de forma dissimulada. O que dava muito trabalho, deve dizer-se. A actualidade é retratada de forma surpreendente com Wall Street e produtos tóxicos em pano de fundo do caso da estória, o que mostra que Paulo Castilho não brinca em serviço. Teve de estudar os detalhes dos tais produtos complexos, alavancados nos tais subjacentes muitas vezes eles próprios também complexos. Quando a coisa estoira, bom... não conto mais, leiam o livro. É de boa literatura, não deprime. Tem um humor fino que prova à saciedade que está errado quem diz que a língua portuguesa é dura e difícil de burilar. E ainda vai sendo do domínio público.

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Natureza Viva


Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Porquê?

O que fazemos meu alferes? A fogueira ainda fumegava e havia outros vestígios de presença de gente espalhados pelo terreiro de terra batida. Carimbos de pés descalços, camas de pau sob as árvores, um pente, um pilão de mandioca. Sabia-se de alguém a vigiar, a mira de uma metralhadora ou os olhos expectantes de uma criança? Era o quarto dia de uma saída de cinco. Estava-se quase no fim, quando surge aquela “vila” longe do mundo, rodeada por capim mais alto que a altura de um homem, junto a um riacho no sopé de uma elevação pronunciada. O que fazemos meu alferes, perguntava também o sargento, por mim seguíamos os indícios atrás deles. Lévú Cambuela, quioco de dentes aguçados, guia e carregador, que dizes? Meu arfere eu aqui não conheço as terras podemos seguir seguir e não saber voltar. O que fazemos meu alferes, perguntava o das comunicações com o rádio racal de mais de 20 quilos às costas, chamo o comandante e peço instruções? Espera rapaz, temos de bater primeiro a zona, dizia o alferes a ganhar tempo e a dominar a ansiedade; no rádio ouvia-se o lado de lá em constantes chamamentos “bária quarto é quinto a chamar, escuto”. E de cá não havia resposta. Ganhar tempo era a estratégia para não mergulhar na aventura. Ansiosa a soldadesca olhava em redor, dedo no gatilho e perguntava: o que fazemos meu alferes? Vamos sair daqui, subir o monte, acampar a meio e esperar pelas Berliet de amanhã. Foram e regressaram sem dormir. Uma metralhadora ou os olhos de medo de uma criança? Nunca se saberá. Era o dia treze de Maio de 1973. A norte da linha de comboio entre o Luso e o Cassai. Angola.

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

****-se

Afinal a tempestade chegou aqui ao rectângulo mais forte e mais cedo do que pensava quando coloquei o pequeno post anterior a este. Ouvem-se entretanto muitas bocas, opiniões, teorias e raciocínios de uma lógica denegridora. Para nada. Avanço com uma previsão à Nostradamus: a crise não é portuguesa é europeia e está para durar. O crescimento esperado na Alemanha, o tal motor da Europa, será em 2012, à volta de 1%. O ajustamento europeu começou pelos países periféricos, o efeito de onda de choque, tão ao gosto de alguns economistas, está longe do fim.

A economia passou para oriente em particular para a China, Índia e para outros países da Ásia. O Vietname faz neste momento investimentos volumosos em Moçambique. A China está nas grandes obras públicas em Angola e noutros países de África. A Índia aposta em novas fontes de energia e na tecnologia. E por aí fora.


Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

O nosso agora.

Continuamos a atravessar uma zona de grande turbulência. Os co-pilotos não ligam nenhuma ao comandante. O Avião é a União Europeia. Os poços de ar têm-se sucedido, mas não estamos livres de sermos apanhados por uma tempestade séria. Apertemos os cintos!


Domingo, 2 de Outubro de 2011

A hipótese do note book

Se começasse agora a viver muito do que fiz voltaria a fazer, tal e qual. Contudo, se possível, faria uma emenda simples mas de grande valor prático e preditivo. Anotaria o maior número possível de acontecimentos, conversas, factos, mesmo os considerados de menor valia, no momento em que ocorressem. Com duas finalidades fáceis de entender. A primeira, para não repetir o que de menos bom se vai fazendo por ignorância ou burrice. A segunda, para me confrontar (confortar?) mais tarde com os aspectos e comportamentos que, conhecidas as premissas num certo tempo vão desembocar em conclusões fora da lógica silogística que se aguardava, num tempo posterior.


Domingo, 25 de Setembro de 2011

Meia Noite em Paris

Já vi melhores filmes do Woody Allen do que este que está em exibição, Meia Noite em Paris. Contudo, só poderia ser obra de um génio. A forma como joga com o tempo, fazendo o actor principal, Owen Wilson, passar de 2010 para vários momentos de séculos anteriores e volta, é soberba. Assim como a ideia de fazer desfilar muitos dos artistas, escritores e outras figuras boémias que tornaram Paris a cidade da liberdade, da criação e da curtição. Os diálogos estão magistralmente adaptados a cada um dos tais imortais de Paris e a cada momento histórico sem que haja descontinuidades. Enfim, um filme talvez fácil de conceber mas difícil de realizar e que vale também pelos primeiros minutos em que mostra as jóias urbanas da cidade das luzes . De tão sugestivos os locais, fiquei com vontade de lá voltar em breve e rever a Ópera, os Campos Elísios, a Praça Vandôme, os jardim das Tulherias, a roda gigante, a estafada Torre Eiffel; e saborear umas suculentas ostras com um vinho branco numa esplanada ao fim da tarde ou uma soupa de cebola em Montmartre numa noite fria. E até voltar ao Maxim’s que já há 30 anos se apresentava decadente e blasé, como decadente e blasé já era o Maxim´s de Woody Allen neste filme de imagens de uma beleza quase inefável.


Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Fintas à crise

Nada de muito empolgante se tem passado nestes dias. Os temas de que se fala são recorrentes. A crise, as indefinições da Europa, as batotas dos países periféricos agora engrossadas pelo Alberto João. Foi a crise que me levou a olhar para o Relatório e Contas de um banco nacional. Também aqui nada seria digno de registo não fora o capítulo das remunerações dos órgãos directivos. Tive de ler, reler, verificar e ampliar o pdf para me certificar de que não estava no Qatar ou noutro país do ouro negro e das mil e uma noites. Não, estava por cá, em Portugal, que ainda se escreve com letra maiúscula, até que a troika se lembre de ordenar o contrário. Embora o que li seja publico, está patente no site do dito banco, não vou revelar todos os valores nem de que banco de trata. Por pudor puro. Deixo-vos só um gostinho do que vi. Na top line o boss mostra proventos mensais superiores a 100K Euros. A inveja não me assiste; palavra! Até tive pena da pessoa, imaginando o esforço que tem de fazer para dar destino diário aos mais de 3K Euros que aufere. Banca e crise não rimam para alguns amanuenses.


Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011


Agora Sim!

O Verão está no fim mesmo antes de começar.
As festas em vilas e aldeias ainda vão dando um ar da sua graça, na tentativa, que se espera não vã, de darem alguma vitalidade a esta gente esmorecida e anémica. Em Mora os Deolinda animaram o último Domingo com a sua última actuação da digressão da temporada. Da estrada, como dizem os artistas. O espectáculo foi morno, não chegou a haver "corrente" entre o público e o grupo de música, mau grado o esforço da Ana Bacalhau. O público destes eventos balanceia entre o pimba e os xutos. É mais fácil escolher entre o "fast" e o "take away". Letras difíceis não. Apesar dos gritinhos que sublinharam as duas últimas cantigas dos Deolinda, já em tempo de voltar ao palco, o que parva que eu sou e o movimento perpétuo associativo, com o emblemático
-Agora não, que é hora do almoço...-Agora não, que é hora do jantar...-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Virtual e alavancado

Quando entrámos no século XXI estávamos grandemente persuadidos de que eram adquiridos e irreversíveis a maioria dos aspectos que nos acompanhavam naquela esquina do tempo: estilo de vida, padrões de consumo e sociedade do bem-estar. Os políticos chamaram a si o mérito do idílico paradigma; os economistas provavam com modelos sofisticados que Keynes estava ultrapassado e que um certo neoliberalismo era o caminho; os das novas tecnologias chegaram com soluções que respondiam à simplificação do trabalho e ao paraíso do lazer. Uma década depois a internet, que destronou já a era da digitalização, colocou tudo na nuvem. É tudo virtual e alavancado. A virtualização veio estreitar muito a distância entre a causa e o efeito, gerando ciclos virtuosos, amplificadores de umas e outros, em tempo nunca antes experimentado. A alavancagem, que é afinal a virtualização financeira, trouxe-nos até à incerteza e dúvida actuais. Sobre o desfecho de tudo isto, como dizia alguém, prognósticos só depois do jogo. Que, infelizmente, não vai durar apenas noventa minutos.


Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Abrantes cidade florida
Já lá vão quatro décadas desde a minha mais demorada estadia em Abrantes. Quase um ano foi o tempo que por lá passei. Era uma cidade, então, desinteressante, parada no tempo, daquelas em que se diz, neste caso com algum exagero, que o melhor que tem é o comboio para Lisboa. Vivia a cidade, nos anos 70, em grande medida, dos muitos militares que lá estacionavam em formação para as guerras de África. À falta de uma qualquer característica diferenciadora o SNI, organismo que se ocupava da propaganda e do turismo nacionais durante o regime do Estado Novo, arranjou-lhe o epíteto de Cidade Florida. E aconselhava os moradores a enfeitarem as ruas e janelas com flores de cores vivas e de preferência de folha perene. Passei hoje por lá, ou antes queria passar por lá lá, e foi um susto. De Alferrarede sai agora uma estrada que circunda Abrantes, na planície vizinha do Tejo, direita ao Rossio, logo se segue Arrifana e, ala que se faz tarde, chega-se num ápice à estrada para Ponte de Sor. Quem abandona a A23 na saída 10 olha só de longe o Castelo e o abundante casario que ocupa os antigos olivais que preenchiam a encosta de Alferrarede a Abrantes. Alferrarede que tinha inúmeras casas senhorias e vivendas de azulejo a bordejar a estrada que a cortejava, "modernizou-se"; passou a ter supermercados de dimensões anacrónicas e ao lado de edifícios da nova vaga, tipo caixotes ao alto, deixa definhar as antigas moradias e quintas. A dominar a paisagem, estão as duas chaminés de proporções novaiorquinas da Central do Pego. De Abrantes cidade que foi florida nem cheiro. E o que deixa ver, nesta abordagem, é deveras pouco estimulante para convencer o passante apressado a parar.
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Vila de Avô
Na vila de Avô os dias de Agosto passam calmos beneficiando da temperatura amena do ar. O rio Alva leva águas quentes e cristalinas e o café do Monas é poiso certo para a cerveja fresca nos fins de tarde. O Largo da Senhora dos Anjos está ainda engalanada no rescaldo da festa da dita Senhora. Foi a 15. As antigas flores de papel são agora bandeirinhas de plástico, às cores, com a vantagem de poderem ser reutilizadas para o ano, mas com a grande desvantagem de prescindirem das noitadas da rapaziada que fazia com esmero flores diversas em papel de seda, atadas em série e dispostas, depois, desde a capela até ao Irol e às vezes até mais longe, até junto à ponte da Farmácia. Os veraneantes actualizam as leituras. Os livros são para metade do tempo e as conversas sobre tudo e nada para a outra metade. Nas tardes quentes à beira do rio, lê-se e fala-se. Também se nada. Agora com colónia inglesa a engrossar a população local que vai escasseando. Na Vila de Avô os dias decorrem. Decorem. Corem.

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

Lisboa em Agosto
Agosto em Lisboa é um gosto a gosto que já não saboreava há muitos Agostos. Ruas por nossa conta, sítios para estacionar, museus sem filas, transportes a horas, restaurantes vazios e até empregados mais atenciosos, mais prestáveis e a darem sugestões. As livrarias que fecham tarde são sítios de puro prazer, onde se folheiam as últimas novidades, que vão de Mário Soares à "light" Margarida Rebelo Pinto. Um café sabe a café e a Avenida de Roma ganha a nobreza de outrora com as senhoras, agora mais idosas, a darem-se ares e ar ao cão. E pronto. É Agosto gostoso em Lisboa acolhedora. Uma das cidades mais envolventes e ternas dos verões que conheço.

Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

A dificuldade da escolha

- Então o que é que achas, este gabinete é maior que aquele?

- Não sei pá. Têm configurações diferentes, um é sobre o comprido e o outro é quadrado. É difícil de avaliar.

- Qual preferes?

- O que tu não quiseres.

- Não estás a ajudar nada. Sabes que estou indeciso e não estás a ser colaborante.

- Ó pá escolhe o que quiseres. Eu fico com o outro.

- Talvez fique com este sobre o comprido, tem duas janelas o outro só tem uma. Mas por outro lado a mesa de reuniões fica muito apertada.

- A minha sugestão é que fiques com os dois. Deitas a parede de separação abaixo, é de pladur. E assim resolves o problema.

- Estás no gozo!

- Não estou. Na condição de chefe ficas com o gabinete mais condicente.

- Não isso é muito. Gostava de ficar com o melhor, mas tu não estás a ajudar. Vou almoçar e depois decido.

- Decide, que eu preciso de começar a arrumar as minhas coisas.

- Não me pressiones. Tenho de pensar com calma. A questão é que quero o melhor.

- Claro. É preciso é chegares a um critério de valorização. Mas olha eu para mim preferiria o gabinete sobre o comprido.

- Acabei de decidir, fico eu com o gabinete sobre o comprido.


Segunda-feira, 11 de Julho de 2011


Memória
Sei que é batota copiar as ideias de outros, e por coincidência o tema que me traz aqui vem no último Expresso na mesma página em que se fala dos alunos de CEJ, os tais 120 futuros juízes e magistrados que copiaram numa prova de exame. Sendo ou não batota, vou à bolina do artigo da Maria Filomena Mónica, com o título "A Memória". Tal como ela também eu me lembro de BN-66-48, a matricula do meu primeiro Datsun e também me lembro que chegou a aconchegar 12 alminhas estrada fora entre Vila Pouca e Arganil e volta. E também me lembro da linha do Benfica dos finais dos anos 50 (Costa Pereira, Jacinto e Ângelo, Caiado, Artur e Alfredo, Palmeiro, Coluna e Água, Salvador e Cavem) e da linha do Sporting e de outros da época áurea das cadernetas de cromos da bola. Mas não sei a matrícula do meu actual carro. Finjo que sei mas reproduzo do iPhone informação, dicas e caviats nos momentos de pânico, e acabo muitas frases com um displicente "tu sabes...", para mascarar nomes e detalhes recentes. Tenho uma preocupação enorme sobre no futuro me vir a encontrar com o Alzheimer (deste nome não me esqueço). Socialmente falando há um tradeoff que me intriga. Lembro-me que afinal fiz bem a muita gente (presunção e água benta...), gente de que me lembro mas de quem nada sei. Aqui o esquecimento nem é meu.

Domingo, 3 de Julho de 2011


Festas de Verão

Chegaram as festas de Verão. E aqui tão perto, em S. Pedro de Sintra decorreram esta semana as comemorações do dito santo com profusa cantoria de muitos cantantes locais, como os Real Companhia que se fez acompanhar de outros mais conhecidos. Lá estiveram o Paco Bandeira, o Joaquim de Almeida (sim, o de Hollywood), o José Fanha a dizer poesia e muitos outros. Estiveram também a sardinha assada, as farturas, o artesanato e o frio da Serra de Sintra. Enfim valeu a Real Companhia e as outras companhias para combater a chatice do frio.


Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

País

Houve tempos de respostas
houve
às questões de cada dia.
Era a era d'este tipo dá-me jeito
E do quero-te por perto.
Certo ;)
De súbito um outro tempo
O do vento
forte que arrasta papeis
e sabedoria.
Saiba vossa senhoria
Qu'isto está mau,
uma sensaboria.
Quer de noite quer de dia.
- Desculpe, o senhor fia?
xD. Lol lol lol.


Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Networking

Por razões de negócio contactei recentemente com uma ex-colega de outros tempos e outras andanças laborais. Está numa multinacional que actua na defesa do consumidor (Marx teria tido razão se tivesse dito: “consumidores de todo o mundo uni-vos!”), tem vindo a estudar e termina no próximo ano o curso superior de técnicas de educação. Profissionalmente pareceu-me segura. A causa próxima do meu contacto teve êxito. Socialmente também. Até agradeceu o facto de me ter lembrado dela. Lições da vida, lição devida.


Domingo, 5 de Junho de 2011

Injection may treat slipped disc pain | Arthritis Research UK 


COISAS DE COTAS

Injection may treat slipped disc pain | Arthritis Research UK

Mas se for como diz o artigo, há uma esperança para resolver esta chatice que aparece de vez em quando.
Bamos a ber, como diria o António do Porto.

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Voyerismo e tecnologia 

Pedro Mexia é muito oportuno na crónica da separata Atual do ultimo semanário Expresso. O caso: três pessoas, ele e ela que se namoram; ela é amiga de Pedro Mexia; o namorado oferece um telemóvel à namorada com um dispositivo que permite fazer-lhe escutas. O Pedro Mexia é o amigo com quem ela desabafa. Pronto é a história. Pouco edificante pela degeneração do direito de personalidade e pela violação da esfera privada de outrem. No futuro o voyerismo e a tecnologia unidos tornarão as vidas num inferno.


Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

...Futebol de causas

Foi um programa interessante na televisão nacional. Televisão que dá prejuízo e por isso vai ter de ser privatizada. Acho indiscutível o critério de privatizar tudo o que não dê lucro. Os cemitérios, por exemplo, não dão lucro, deverão ser entregues a quem deles consiga resultados. Há países europeus em que é assim. Voltando ao programa de televisão, o programa interessante, foi o “Futebol de causas”. Num dia em que nas televisões se abusou da mostra de duas equipas, com uma pobreza de assunto mais que franciscana, e com uma abundância de imagens sem qualquer acrescento de valor, foi repescada a célebre equipa da Académica que em 1969 do século passado se bateu com o Benfica na final da taça de Portugal. Foi para mim compensador ver o Jamor ao rubro não só pelo futebol mas também porque a Académica na altura era uma das possibilidades de afrontar o regime do Estado Novo. Desde 1968, depois do Maio de Paris, a agitação estudantil tinha chegado a Portugal e Coimbra era o centro de toda a contestação. A equipa de futebol da Académica era maioritariamente formada por estudantes universitários e essa final era, foi, um óptimo pretexto para reunir a juventude “à rasca” de então. Aquela que passava quatro ou mais anos pela tropa, dois deles na guerra. O programa foi ainda interessante porque me trouxe, estes, tantos, anos depois, um antigo jogador dessa final, o Belo, meu companheiro de instrução em Mafra, para onde foi (fomos?) incorporado pelo castigo, pasme-se agora, de delito de opinião. O programa mostrou ainda o Ministro da Educação de então, o Prof. José Hermano Saraiva e o actual (prestes a ser ex) Ministro da Justiça, Alberto Martins, então jovem de 24 anos e presidente da Associação Académica. Ingredientes lamechas para classificar o programa de bom. Duas notas em tempo de post sriptum: O Artur Jorge não jogou e o chefe da polícia que “segurou” os estudantes foi meu comandante na guerra em Angola.
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

TSU & esperança de vida

A discussão sobre a TSU é estranha aos meus ouvidos. Sabe-se que o desemprego em resultado dos PECs e acordos com Troikas nos próximos anos vai trazer desemprego. Por outro lado é também um facto que a população está a envelhecer e que uns quantos milhares de activos engrossam anualmente o contingente dos reformados. Estes dois aspectos, combinados, resultam em menos receita para o sistema de segurança social, que inclui as reformas. Ora se a taxa social única, aplicada à população activa, for reduzida a receita sairá ainda mais mal tratada. Eureka! Descobri como se vai resolver a crise. Lá para 2015 a tal sustentabilidade do sistema deixará de existir; a doença e a má nutrição matarão uma percentagem material de reformados, esses velhos que não produzem, só consomem e são verdadeiras sanguessugas dos jovens e do estado social. Ou seja, a retracção da esperança de vida irá trazer melhorias acentuadas ao orçamento pelo lado da despesa. Menos reformados implica em menos pensões logo em menos despesa! Tinhas razão Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos. Hum, não sei se me apetece votar. Parece-me que votar é igual a adiar.


Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Laranjas em Maio

O carrinho de mão carregado de laranjas em Maio trouxe-me a recordação das laranjas do Cravidão para a Lusitana e para a Odete. E também para nós, a outra família que partilhava a casa com a Lusitana e a Odete. Porque há 50 anos as casas eram arrendadas e partilhadas e a renda, assim, dividida por duas, três ou mais famílias. Sem crise ou em eterna crise. Assim se vivia na cidade, sem choradeiras e sem frustrações. Nesta casa havia laranjas em Maio, sequela tangivel do amor semi-clandestino do Cravidão pela Lusitana, assim transformado em géneros. Laranjas em Maio, luxo comungado pelos seis das duas assoalhadas. Seis ocupantes que nesses dias, de premendas de Mora, eram sete. Recordações revividas no sítio das laranjas de então.


Domingo, 1 de Maio de 2011

O programa pode ser ajustado 


 

Five Vital Techniques To Setting Up A 75th Birthday Party


 

When planning a 75th birthday celebration, you must create a visitor checklist, decide on the location, send out invitation letters, prepare the program, and prepare the meals.

One of the top 75th birthday gifts you might give is to prepare a birthday celebration for the celebrant. Based on the celebrant's taste and your budget, the party can either be a large birthday party or a romantic family get-together. Regardless of whether the occasion is a big one or not, it is important that it's well-organized and unique. Here are several procedures you can follow for organising a 75th birthday:


 

Make a guest checklist

You must make a list of the individuals you're planning to invite to the event so that you can accommodate all of them. Ask the celebrant for a list of names of family and friends whom he or she likes to attend the party.


 

Consider the location

Search for prospective locations that would accommodate all your attendees and still fall fairly within your spending budget. Selecting the location must also match the theme of the occasion. For instance, if the celebration is a formal affair you wouldn't wish to host it at a laidback diner. Holding the occasion at the birthday celebrant's home might help you lower your expenses, but you should consider the set up and aftercare services. Additionally, if you plan to make the event at a private home, you should think of community noise laws so as not to disturb neighbors.


 

Distribute invitation letter

Once you've a listing of guests and a preferred place, you can now compose an invitation. Feature relevant details like the place of the occasion, the time as well as your contact information in case they've any inquiries. If it is a formal dinner, request that your guest visitors wear formal clothing. Send the invitations out about three weeks before the celebration and request that attendees ensure their presence in order to be sure of the entire guest count.


 

Make the program

Develop a program to highlight the celebrant's big event. Request that the celebrant's best buddies, children and family make a speech or tribute for the birthday celebrant. Find a person who'll conduct the different parts of the event. You might also wish to hire a band which will play and amuse everyone throughout the celebration. Give them a selection of the celebrant's favorite songs or tell them about the celebrant's preferred songs. If you do not have a budget for a band, you may simply make a playlist of the birthday celebrant's favorite music to play throughout the dinner or while the attendees are anticipating the program to begin.


 

Make the food

You can hire a catering service to deal with all the beverages and food for the occasion. Alternately, you may ask family and friends to assist you prepare the food for the occasion. Determine what the celebrant's favorite food items are and if he or she has any nutritional restrictions. Refer to your guest list so that you will learn the amount of food to prepare for the party. You should also consider the kind of occasion you are hosting to figure out what food is ideal.

The birthday celebrant will certainly appreciate the effort you put into organizing the event.

By : Danica


written by danica reynes .for further guidelines on what 75th birthday gifts to give, visit http://www.lifeonrecord.com/unique/birthday/gift-idea/75th/unique-75th-birthday-gift-idea.htm


Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Num céu cinzento… 

O grande imbróglio em que estamos, económica, financeira e mesmo desportivamente (no caso dos clubes de Lisboa) tem um denominador comum: a banca. É claro que agora vão-nos dizendo que os consumidores são os grandes actores (culpados) desta peça, e vão-nos querer dizer que "faça férias gora e pague depois",nunca existiu.


Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Quinta-feira Santa

Quinta-feira Santa de Endoenças. Endoenças é uma palavra difícil e pouco comum que significa e tão só perdão. Neste dia é celebrada a última ceia de Cristo com os seus seguidores. Aparece agora um fulano de uma universidade inglesa a dizer que a última ceia não foi na quinta-feira mas sim na quarta-feira. E, digo eu, se afinal não foi ceia mas almoço a última refeição tomada com o mestre? Que importância tem isso para o transcendental em que mergulham estes dias? Endoenças para quem complica o que é simples. Endoenças.


Sábado, 16 de Abril de 2011

Domingo de Ramos

A Semana Santa inicia-se no domingo de ramos e nele se celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado com galhos de palmeira, por quem alguns dias depois o condenaria à morte. A minha primeira recordação deste dia é longínqua. Teria quatro ou cinco anos. Acordava-se cedo e todos caprichavam em aprimorar um ramo de loureiro profusamente enfeitado com flores campestres. A missa era seguida de procissão pelas ruas da Vila e no final os ramos eram benzidos. O louro era guardado até ao ano seguinte e usado apenas em ocasiões especiais. A minha avó usava-o quando as trovoadas ribombavam e os raios caiam sobre a vinha da Casa Grande. Nessas alturas fechava-se sozinha ou quem tivesse em casa, numa divisão escura que havia entre o quarto e a sala de jantar. Lá retirava da prateleira o ramo de loureiro bento, agarrado com ambas as mãos contra o peito, e rezava, rezava e fazia-nos repetir mesmo que aos quatro anos entendesse nada da arrazoada que interrompia quando algum trovão abanava a mais a casa. A oração era dita até que a natureza se acalmasse.

Santa Bárbara bendita,

Que no céu está escrita,

Com papel e agua benta,

Livrai-nos desta tormenta.

Onde vais Bárbara

Senhor, vou ao céu,

A livrar-me das trovoadas,

Que neles andam armados.

Pois Bárbara, bota-as,

Bota-as p´ra bem longe,

Onde não haja sinos a tocar,

Galos a cantar,

E meninos a chorar,

Mas haja uma serpente bem grande,

Que tenha 24 filhos,

E não tenha nada que lhes dar,

Só água de trovão,

E leite de maldição


Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Desgaste antes do resgate 

As eleições são por definição o acto de escolher quem nos representa. Durante a campanha os partidos vão necessitar de sublinhar as diferenças que têm entre si. Entretanto decorrem as negociações com vista a salvar o país de incumprimento financeiro que, segundo o próprio Ministro das Finanças, pode ocorrer em Junho se não houver acordo entre os partidos e o FMI. Estas negociações obrigam, então, os partidos a baixar o tom de conflitualidade da campanha e a acordarem nos aspectos económicos, financeiros e sociais que nortearão a nossa vida nos próximos anos. Não vão ser capazes de se conter na linguagem e outras diatribes como bem diagnosticaram os romanos três séculos antes de Cristo: há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que não se governa nem se deixa governar!


Sábado, 9 de Abril de 2011

A procissão ainda vai no adro ou a estória do Tarari

Portugal's bail-out


A bail-out foretold

Apr 7th 2011, 15:10 by The Economist | BRUSSELS

WHAT a difference a year of crisis can make. When Greece was in trouble this time last year, the European Union wavered for months about whether and how to bail it out. Now with Portugal the resistance has been on the other side. José Sócrates, the Socialist prime minister, tried to avoid asking for rescue until the last possible moment before going under. The European Commission, on the other hand, said his request would be processed “in the swiftest possible manner.”

Some European finance ministers expressed relief. Germany's Wolfgang Schäuble called the move a “sensible and necessary step”. Others criticised Portugal for unnecessary delay. "They should have requested aid much earlier. They have placed themselves and Europe in a very difficult situation,” grumbled Sweden's Anders Borg.

One minister who will not be pleased is Finland's Jirki Katainen, leader of the centre-right National Coalition party, who hopes to become the next prime minister following this month's general election. Anti-EU sentiment in Finland has been fanned by the crisis and repeated bail-outs, boosting the far-right True Finns party.

The EU will insist that Portugal submit to a tough adjustment programme, perhaps tougher than the austerity measures that the EU approved but the Portuguese parliament rejected last month, bringing down Mr Sócrates's minority government.

The matter will be discussed at the informal meeting of finance ministers outside Budapest tonight and tomorrow. They may order a mission by experts to negotiate the terms of any rescue, which would them have to be approved by them.

This third bail-out, after that of Greece and Ireland, has caused little surprise. But a political cloud hangs over the negotiations. Does Mr Sócrates's minority government have the authority to negotiate the adjustment measures with the EU and the IMF (detested by many in Portugal after the adjustment programmes it endured in the 1970s and 1980s) before elections in June? And if he is replaced, will his successor come back to Brussels demanding to renegotiate the deal, as Enda Kenny, the new Irish prime minister, has attempted to do?

For now, the commission is sticking to a rather formal line that it will negotiate with the authorities of the day. But it points out that the main centre-right opposition party (called the Social Democrats) supports the request for a bail-out. Nevertheless, the question is whether, in the heat of an electoral campaign in which each will try to blame the other for the country's woes, either Mr Sócrates or his opponent, Pedro Passos Coelho, will be able to agree on precisely how the squeeze should be applied.

Another politician who has a stake in events in Portugal: the president of the European Commission, José Manuel Barroso, a former Portuguese prime minister. His relations with Angela Merkel, the German chancellor, have been testy. She did not appreciate his public pressure for a bail-out duiring the Greek crisis. More recently she has suspected him of being too soft on Portugal. It is not just governments and Brussels-watchers who will be scrutinising Mr Barroso. Now that his native country is in an election campaign, Portugal's political class will inevitably wonder whether his actions somehow favour Mr Sócrates or Mr Coelho (Mr Barroso's political stable-mate).

Long before Portuguese voters pass judgement on all this, the most closely watched verdict will be that of the bond markets. Investors seem to be pleased that the economic uncertainty is ending. But will they get twitchy if the negotiations with Portugal drag on? Will they test the robustness of Spanish government debt? The mood in the euro zone's most troubled economies will not be improved by the European Central Bank's decision earlier today to raise interest rates by 25 basis points. Aware of the criticism, the ECB president, Jean-Claude Trichet, said the rise was not necessarily “the first in a series of interest rate increases”. In other words, the trouble in Portugal and elsewhere may stay his hand for a while.


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